Misty Slope

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Comece já

 

Confesso que vivi

“ E a minha voz nascerá de novo, talvez noutro tempo sem dores, e nas alturas arderá de novo meu 💓 ardente e estrelado.”


Os momentos Deleitura são sempre marcados por uma expansão do que está na obra. Sempre as deleitetes trazem, além de uma percepção particular sobre o texto, indicação de entrevistas, exposições, trechos de poesias, entre outros.


E ler as memórias de Pablo Neruda foram momentos fartos de troca e gratidão. Cada relato em prosa de lembrança, um brilho particular, deste homem que nasceu para o Chile, mas marcou a história de toda a América Latina em sua luta de liberdade.


O que destaco em particular são os poemas Te amo, Se você me esquecer, Ode ao gato e Saudade citados por conversas a fio sobre a obra. E o trecho citado no livro “Se te atingirem, cante”, onde o poeta relata que no Chile surgiram alguns profissionais antinerudistas. Quando então ele diz que, quando se referem à sua poesia, não há discussão possível.


Não porque seja maior nem mais alta nem mais espessa nem mais clara nem melhor nem pior que as outras poesias. Não, não é por isso. É que sua poesia tem que se defender sozinha. Saiu das madeiras úmidas de Temuco cantando como a chuva nos tetos de Cautín. Que se defenda sozinha com seu canto.


É um livro bem escrito, gostoso de ler e, embora seja uma autobiografia, de alguma forma, todos os sul-americanos conseguem se enxergar nos relatos sociais e políticos sobre o Chile.


Poesia em estado puro, límpido e intenso.


"Não era possível fechar-me em meus poemas, assim como não era possível tampouco fechar a porta ao amor, à vida, à alegria ou à tristeza em meu coração de jovem poeta."

Neruda foi um homem grato. Lembrou da chuva, destacou a natureza, o lenhador e os personagens de seu tempo.

"Sou onívoro [devoro tudo] de sentimentos, de seres, de livros, de acontecimentos e lutas. Comeria toda a terra. Beberia todo o mar."


Viveu, amou, sonhou, desejou:

"Quero viver num mundo em que os seres sejam somente humanos sem outros títulos a não ser estes, sem serem golpeados na cabeça com uma régua, com uma palavra, com um rótulo."


Neruda nasceu como Neftali Ricardo Reyes Basoalto.


Mudou de nome ainda jovem para encobrir suas publicações, já que ao pai não agradava ter um filho poeta. O jovem rapaz, então, escolhe o nome ao acaso, de uma revista, sem saber que se tratava de um grande escritor tcheco.


Tornou-se diplomata muito jovem e foi cônsul em vários países. Presenciou a guerra civil espanhola, ajudou refugiados espanhóis, embarcando-os para o Chile e conviveu com poetas importantes de sua época.


Foi senador da República no Chile e chegou a se candidatar à presidência, quando renunciou da candidatura em favor de Allende. Ganhou inúmeras condecorações, homenagens e afins, sendo que em 1971 veio a ganhar o Nobel de Literatura.


Essas e outras curiosidades estão nesse livro autobiográfico, datado de 1973, ano de sua morte.


"Não estás só; há um poeta que pensa em teu sofrimento," lembra.

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