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Hibisco roxo

É no encanto das flores que paira a paz. Dessa forma, entendi o livro da autora Chimmanda Ngozi Adichie, Hibisco Roxo. Uma narrativa em que a protagonista se permite a parar, em meio a relatos dolorosos, para apreciar a simplicidade da natureza e reformular perspectivas acerca de formas brutas de dominação.


A autora relata o drama familiar de Kambili, a partir de suas lembranças na Nigéria.

O sofrimento é contado a partir de uma mescla de religião e tirania, impostas de formas muito abusivas pelo patrono Eugene, rico industrial que, a despeito de comandar importante jornal do país, impõe à família exercícios severos de negação.


Primeiro ao próprio corpo, com a noção de pecado contra a carne. Depois a valores que os membros mais exteriores à família compartilhavam. O simples ato de mostrar o cabelo ou parte do corpo poderia ser interpretado como pecado. Em uma família que não tinha o hábito de sorrir.


O aprendizado e a libertação surgem da relação com o outro, a tia Ifeona, mais esclarecida quanto ao processo de dominação. E do contato com Amaka, a prima que a desdenha primeiramente.


A Nigéria está localizada na África Ocidental e foi colonizada pela Inglaterra, que montou as estruturas administrativas e legais. Só em 1960 se tornou independente.


O relato de Kambili mostra estágios em se busca primitivamente valores de uma cultura “superior. E no qual predomina o forte compromisso de Eugene com a hegemonia da raça branca.


Eugene chega a impedir que os próprios filhos se relacionem com o avô, acusado de paganismo. O patrono exige aos filhos serem os primeiros no colégio e espanca a mulher. À mãe de Kambili lhe é reservada apenas juntar os cacos produzidos pela ira bestial do marido.


Valores assumidos em uma Nigéria muito enfraquecida socialmente. E com chances pequenas de recomposição.


Desconformidades de que Kambili vai se apercebendo ao longo da narrativa a partir de falas combativas, como a que questiona o fato de estudantes nigerianos serem tratados como macacos que aprenderam a falar em Cambridge.


Ou que acusam missionários católicos de trazerem um deus fabricado, segundo a cultura do colonizador. Ou, ainda, a partir do silêncio do Padre Amadi em não lhe responder acerca de verdades acerca das aparições de Nossa Senhora na cidade de Aokpe.


Ao fim, a narrativa mostra a necessidade de um povo recontar sua estória. E que a libertação pode nascer do contato com o outro, a partir do momento em que o sujeito se apropria do contexto em que vive. O hibisco roxo é uma flor típica da África e que lá floresce...

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