Misty Slope

Livros

Comece já

Homens imprudentemente poéticos

Passava os dias gritando: musumé, ondes estás. E a menina cega respondia: no teu coração. E a criada insistia: e mais onde. E a menina cega respondia: aqui, junto à pedra.”


homens imprudentemente poeticos

Homens Imprudentemente Poéticos, sétimo romance do escritor português Valter Hugo Mãe, nos leva a uma aldeia próxima à Floresta dos Suicidas, no Japão, e nos apresenta dois vizinhos: Saburo, o oleiro, e Itaro, artesão de leques.

Repleta de simbolismo e poesia, a história descreve como cada um enfrenta seu cotidiano e se comporta com o inesperado da vida.

Itaro vive com sua irmã cega, Matsu, e com a senhora Kame, uma criada que é a “Mãe Perto” da menina. Ele acostumou-se a um pesado fardo e a perdas desde criança, seja por ter o dom de prever infortúnios ao matar pequenos animais, seja por cuidar sozinho de sua pequena família.

Saburo, de início um homem gentil, dedicado esposo, sem filhos, passa à tristeza e ao desespero quando perde sua amada. Mesmo alertado pela premonição de Itaro, não foi capaz de evitar o destino da esposa. Passa, então, a cultivar um magistral jardim, onde pendura o quimono de Fuyu, e sobrevive da esperança de que, ao agradar os Deuses, eles a devolvam.

“Talvez fosse melhor informar o oleiro, dizia, para que o destino do oleiro se abstivesse de lhe ficar nas mãos. Itaro, torpe, desprezava Saburo e sua fragilidade amorosa, por a considerar um sentimento tão desadequado à miséria em que viviam.”

Ao descobrir que também ficaria cego, Itaro toma uma atitude aparentemente cruel, afasta Matsumoto para sempre de si e da senhora Kame - na verdade, apenas quer livrar sua irmã de mais miséria.

Já a menina Matsu, sensível, delicada, sábia, com palavras e atitudes de extrema bondade para com as mazelas humanas, mostr-nos o que é “enxergar”.

“A luz é uma espécie de olhar sobre nós. No entanto, incapaz de ver por dentro. Por isso, quando é intensa, aquece pela frustração de lhe ser impossível entrar nas pessoas. Entra por temperatura. Explica assim, como se quisesse crer que ver era coisa pouco de que a felicidade poderia se abdicar.”

Itaro terá sua experiência reveladora ao seguir o conselho do sábio da Aldeia e passar sete sois e sete luas sozinho em um poço escuro.

O processo de Itaro o ajuda a se livrar das sombras e coincide com o desespero de Saburo, nos mostrando quão iguais e quão diferentes somos.


Livro: Homens imprudentemente poéticos

Autora: Valter Hugo Mãe

Ano: 2016 Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 192 páginas

Resenha: Vanessa Marzola



2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo